A capacidade de autodescoberta deveria ser considerada uma competência fundamental e básica a todo ser humano que busca melhorias constantes.
Passamos por momentos de descobertas desde o nascimento, quando deixamos um lugar que nos acolheu por nove meses e entramos em um mundo enorme que nos espera carregado de novidades, expectativas e desafios. Nesse momento, conhecemos o sentimento de desespero até o momento em que nossa mãe nos amamenta pela primeira vez e descobrimos uma da melhores sensações na vida de um bebê.
A partir daí não paramos de descobrir sensações e sentimentos, sejam eles positivos ou negativos. Nos vemos e nos formamos através do olhar do outro – primeiro de nossa mãe, depois de nossa família e sociedade – e a necessidade do olhar interno é esquecido, afinal, somos dependentes em nossa forma física e emocional.
Na adolescência, descobrimos que não somos mais crianças e, ao mesmo tempo em que vivemos com revolta o luto por uma fase que não tem mais volta, lutamos contra o mundo para expressar nossas opiniões e desejos mais íntimos. Nosso maior desejo é que possamos ser vistos com toda nossa individualidade e romper com a dependência que tínhamos até então.
Quando nos tornamos adultos, descobrimos que a individualidade, assim como as responsabilidades, são reais, e muitas vezes achamos que a autodescoberta é uma perda de tempo.
Existem tantas outras coisas mais importantes: ter uma carreira bem-sucedida; realizar aquele projeto que nos foi designado; ser inserido e aceito no mundo através do reconhecimento que provém do outro, e acabamos nos abandonando completamente.
Nosso caminho de descobertas não acaba por aí: com o tempo, nos aproximamos da velhice, descobrimos que a imortalidade física não existe e, por isso, o mais importante é deixar um legado que tenha a ver com nossos desejos mais íntimos. Se percebermos isso a tempo, poderemos ainda entrar em contato com o nosso interior e realizar o que parece impossível.
VOCÊ SABE QUAL É O LEGADO QUE QUER DEIXAR NO MUNDO?
Diariamente recebo em meu consultório de psicologia clínica adultos com grandes dificuldades na vida pessoal e profissional, que por terem priorizado outras pessoas e necessidades alheias, não se permitiram entrar em contato consigo mesmas durante muito tempo. Sofremos as consequências dessa escolha mais tarde.
Gosto de pensar que a autodescoberta é um exercício de desenvolvimento constante, pois quando olhamos para nosso interior, somos capazes de colocar para fora todas nossas necessidades e caminhar para a mudança com a sensação de realização. Quando buscamos no ‘fora’ o que está dentro, só encontramos o vazio.
A autodescoberta sempre foi um assunto muito presente em minha vida, sou formada em psicologia e trabalho com isso muito antes de me tornar coach. Em minhas buscas internas, já li muitos gurus do assunto, pratiquei yoga, tai chi chuan, fiz danças circulares e recentemente iniciei práticas de meditação. Sempre busquei entrar em contato com meu eu interior e equilibrar minhas forças. Um dos livros que mais marcou a minha vida foi O homem à procura de si mesmo (1953), de Rollo May. Logo no prefácio, ele diz que:
“Uma das poucas alegrias da vida numa época de ansiedade é o fato de sermos forçados a tomar consciência de nós mesmos. Quando a sociedade contemporânea, nesta fase de reversão de padrões e valores, não consegue dar-nos uma nítida visão ‘do que somos e do que devemos ser’, nas palavras de Matthew Arnold, nos vemos lançados à busca de nós mesmos.” (MAY; ROLLO, 1953, p. 09)
A necessidade pela autodescoberta é despertada pela falta no mundo externo. Quando não encontramos mais as respostas que buscamos no ‘fora’, voltamos para o ‘dentro’ em uma ação desesperada para não nos perdermos completamente.
QUAL É O MUNDO QUE VOCÊ ESTÁ CRIANDO?
A prática de meditação é feita de olhos abertos, pois não há separação entre o ‘fora’ e o ‘dentro’. Todas as nossas representações no mundo são formadas por crenças e valores, que nos acompanham desde muito cedo. Criamos a nossa visão de mundo a partir de nosso conhecimento interno.
VOCÊ JÁ SE DEU CONTA DO QUE ESTÁ PROJETANDO NO MUNDO?
Para ser um bom coach, é importante a busca constante por desenvolvimento, e o exercício de olhar para dentro é a única maneira de conhecer todas as suas forças e fraquezas.
Nossa responsabilidade é muito grande, pois nosso trabalho consiste em ajudar pessoas a serem melhores e, para isso, devemos olhar para o melhor que podemos ser, isso significa descobrir nossas falhas.
QUE TIPO DE PROFISSIONAL VOCÊ QUER SE TORNAR?
A busca por melhoria contínua deve começar dentro de nós, mas não é fácil olhar para o obscuro que nossos pensamentos pertencem, pois corremos o risco de perceber que somos diferentes do que achamos ou queremos ser.
O medo é uma condição humana, assim como a superação. E escolher que atitude você terá, depende do tipo de ser humano que você quer se tornar.
E AÍ, O QUE VOCÊ VAI ESCOLHER?
Artigo publicado em Novembro de 2013 no parceiro Mural do Coach
Link direto: http://novo.muraldocoach.com.br/universitario/artigo.php?id=32
